[Resenha] Pedras Negras / Saluh – Cesar Luis

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Título: Pedras Negras
Autor: Cesar Luis
Editora: Luna
Ano: 2015
Páginas: 342
Pedras Negras, o primeiro romance do autor, foi lançado em Dezembro de 2014 pela Editora Filhos do Vento, do Rio de Janeiro. Foi um projeto literário que nasceu, amadureceu e se completou entre Janeiro e Abril de 2013. A primeira aventura do personagem Fernando Eastman surgiu após uma elucidativa leitura sobre a pouco conhecida lenda andina de Orejona. Alguns meses antes o autor fez uma viagem pelas terras do Peru e ficou encantado com a beleza e as energias do lugar, em especial Machu Picchu. Da experiência na Cidade Sagrada surgiu o pano de fundo do livro.

“Fernando Eastman é um rapaz que se entrega apaixonadamente numa aventura de conspirações e situações impossíveis pelas terras do Peru e Bolívia. Seu objetivo é elucidar um incrível mistério e fazer com que essa informação possa ser entregue à Humanidade. É uma espécie de busca para corrigir erros graves no pensamento humano que causam muito sofrimento. Uma busca baseada em curiosidade e questionamentos”

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Título: Saluh
Autor: Cesar Luis
Editora: Luna
Ano: 2015
Páginas: 342

Saluh é o segundo romance do autor seguindo os passos de Fernando Eastman, o personagem de Pedras Negras. Eastman conhece um homem extraordinário chamado Saluh e, junto com Laura Karim, entra de cabeça num mundo de fatos históricos e muita sabedoria. Verdades e mentiras. Coisas que não são nada convenientes para os poderes estabelecidos nesse mundo.
www.lunaeditora.com
“Saluh é uma de aventura histórica nas areias do Egito. A aventura vai um pouco mais a fundo nos mistérios de nossa civilização, em especial no tema ‘Criação’. Saluh combina uma trama baseada no recentemente editado ‘O Livro Perdido de Enki’, de Zecharia Sitchin, com um texto também recém-descoberto, traduzido e editado com o nome de ‘Talmud de Jmmanuel’”. – Cesar Luis.

O que eu achei de Pedras Negras e Saluh?

Os livros contam a história de Fernando Eastman, um arqueólogo que acaba se envolvendo em uma trama de conspiração em território peruano, a partir da descoberta de uma câmara secreta em Machu Picchu e sua relação com a lenda de Orejona e, depois, no Egito, onde conhecerá um homem misterioso que escreveu um livro igualmente poderoso.
Os livros são bastante densos e sua leitura não é tão rápida. Nem acredito que esta seja a intenção do autor, pela forma como o enredo é estruturado. A edição é simples, mas bem feita. A divisão de capítulos leva em conta a cronologia dos fatos e os locais por onde ele passa em sua aventura.
Não foi uma das leituras que me agradou, tanto pela forma como é composto quanto pelo conteúdo apresentado. Quanto à estrutura do texto, há algumas coisas que precisam ser observadas.
O personagem principal é desde o começo apresentado como sendo o melhor e mais influente em tudo o que faz. Além disso, apesar de enfrentar algumas dificuldades, as soluções lhe vêm como mágica e de uma forma que não dá a emoção necessária a um texto de aventura.
Além disso, ele apresenta uma memória quase infalível para textos e trechos enormes, o que me leva à outra observação, quanto ao propósito do autor em sua trama. A narrativa é, em muitos pontos, composta de diálogos longos, com falas igualmente longas de cada personagem. Nessas falas não é como se os personagens falassem entre si, mas que deixassem de lado seus papeis na trama e começassem a explicar ao leitor. As interações em muitos momentos não são interações, mas sim, complementações de um texto único. Se as marcas de diálogos fossem removidas, o texto continuaria fazendo sentido, como se fosse uma coisa só.
Os parágrafos sem diálogo complementam essas falas, o que me faz confirmar a intenção do autor de, usando da técnica da ficção, apresentar sua teoria conspiratória. A natureza remete a um tipo de abordagem feito em O Código da Vinci, em que por meio de informações supostamente verdadeiras, busca-se apresentar uma “nova realidade”, ou a verdade por trás da verdade.
Como já mencionei em outras resenhas por aqui, não me agrado de textos que buscam me doutrinar em algum sentido. Quando percebo a intenção claramente persuasiva do texto eu perco o interesse e passo a olhar com desconfiança e isso me tira boa parte do prazer da leitura.
Além disso, considerando o tema central da história, percebo que o autor quer atacar frontalmente não todas as outras crenças para estabelecer a sua, mas sim, especificamente o Cristianismo, o que faz desacreditando e desautorizando, em seu texto, vários fundamentos desta religião. Como cristã, não posso concordar com esse posicionamento, não pelo tema abordado, já que sei separar o que leio do que acredito e já li obras com conteúdos de outras crenças que considerei bem elaborados, mas principalmente pela clara intenção de mudar o pensamento do leitor quanto ao que ele acredita, inserindo uma nova teoria em sua frente.
A forma como o autor descreve a mulher que é o suposto par romântico de Fernando usa um estereótipo já em baixa ultimamente, da mulher frívola, inculta e desinteressada em conhecimento, o que não me agrada e com o que não me identifico.
Pelo propósito do livro e pela forma como é descrita essa mulher, a tentativa de romance entre ela e o personagem principal não pareceu verossímil, nem cabível no tipo de texto que ele propõe.
Sendo assim, não considero esta uma leitura recomendável e não a classificaria como romance nem ficção, pois tem um objetivo diferente do entretenimento.

Mora em Ribeirão Preto, gosta de ler desde sempre. Apaixonada por café, por um bom vinho e por histórias que aquecem o coração.